Projeto Mova-se pelo Futuro utiliza GPS para validar deslocamentos e transforma trajetos sustentáveis em créditos que podem ser trocados por recompensas.
A Prefeitura do Recife começou a testar uma tecnologia que pretende transformar deslocamentos cotidianos a pé ou de bicicleta em recompensas. Batizada de Mova-se pelo Futuro, a solução utiliza GPS para identificar e validar trajetos de mobilidade urbana realizados pelos participantes e, quando os percursos cumprem as regras do programa, converte-os em Créditos H3RO, que podem ser acumulados e trocados por benefícios.
A iniciativa é conduzida pela Empresa Municipal de Informática (Emprel), em parceria com a Secretaria de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia (SECTI). A ferramenta está integrada ao Conecta Recife, o que significa que os moradores interessados não precisam instalar uma nova aplicação exclusivamente para participar da experiência.
O teste terá duração de um ano e servirá para avaliar tanto o funcionamento da tecnologia como o interesse dos utilizadores e o potencial da solução para apoiar políticas relacionadas à mobilidade ativa e sustentável. A tecnologia foi desenvolvida pela Bion Global Biocredits Ltda. e selecionada no âmbito do Programa EITA Labs.
A proposta coloca Recife como ambiente de experimentação de uma solução que une GPS, transformação digital, mobilidade urbana e sustentabilidade. Entretanto, nem toda caminhada ou pedalada poderá gerar créditos: o sistema foi desenvolvido especificamente para reconhecer deslocamentos utilizados como meio de transporte.
Como funciona a tecnologia que transforma trajetos em créditos?
O Mova-se pelo Futuro utiliza dados de localização para registrar e validar os percursos realizados pelos participantes. Inicialmente, são aceitos deslocamentos a pé, de bicicleta convencional e de bicicleta elétrica com assistência de pedal, desde que a e-bike esteja enquadrada nas regras aplicáveis à mobilidade ativa.
O participante acessa a solução pelo Conecta Recife, entra na área do Conecta Labs, aceita os termos de utilização e autoriza as permissões necessárias para a validação do trajeto. Depois disso, pode realizar o percurso seguindo as orientações apresentadas pela própria plataforma.
Existe uma condição importante: o deslocamento precisa possuir origem, destino e finalidade prática. Ir de casa para o trabalho, deslocar-se até à escola, visitar um comércio ou chegar a um serviço público são exemplos de percursos que podem ser considerados pelo sistema.
Por outro lado, caminhadas e pedaladas realizadas predominantemente como exercício físico, treino, lazer ou recreação não dão direito aos créditos. Essa diferenciação procura concentrar a experiência na substituição de deslocamentos urbanos que poderiam ser realizados por outros meios de transporte.
Depois de concluir o percurso, o participante precisa aguardar a validação digital. Quando o trajeto é aprovado, os Créditos H3RO são adicionados ao saldo e podem posteriormente ser utilizados para obter recompensas disponibilizadas pelas empresas participantes do marketplace da plataforma.
A Prefeitura também informa que outras modalidades sustentáveis poderão ser acrescentadas em etapas futuras. Por enquanto, a experiência concentra-se principalmente na caminhada e na utilização de bicicletas.
Por que Recife está testando esse sistema?
O projeto procura utilizar incentivos para estimular moradores a escolher formas de deslocamento não motorizadas no cotidiano. Em vez de apenas recomendar que a população caminhe ou utilize bicicleta, a tecnologia cria uma recompensa associada ao comportamento.
A iniciativa também funciona como um experimento tecnológico em ambiente urbano real. A solução foi selecionada pelo Edital de Chamamento nº 003/2024 do Programa EITA Labs e está sendo testada através do Conecta Labs, ambiente criado para validar novas tecnologias antes de uma eventual utilização em maior escala.
Durante o período de um ano, serão analisados fatores como funcionamento da plataforma, participação dos utilizadores e capacidade da tecnologia de contribuir para iniciativas relacionadas à mobilidade sustentável.
A experiência utiliza GPS para registrar e validar os deslocamentos e conta ainda com o sistema BionChain para o registro das transações relacionadas à plataforma. A combinação dessas tecnologias permite acompanhar os percursos e administrar os créditos concedidos aos participantes.
O modelo também poderá produzir informações sobre os hábitos de mobilidade ativa. Dados agregados sobre deslocamentos podem ajudar a compreender onde e como moradores utilizam caminhada e bicicleta para realizar atividades cotidianas, embora qualquer utilização dessas informações deva observar as regras aplicáveis de privacidade e proteção de dados.
Segundo a Prefeitura, a estratégia possui potencial para contribuir para a redução das emissões de carbono ao estimular alternativas aos deslocamentos motorizados. O efeito ambiental real, contudo, dependerá do nível de adesão e, principalmente, de quantos trajetos realizados a pé ou de bicicleta efetivamente substituírem viagens que seriam feitas por meios motorizados.
Como os moradores do Recife podem participar?
A participação ocorre pelo próprio Conecta Recife. O utilizador precisa possuir cadastro na plataforma e localizar o Mova-se pelo Futuro dentro da área do Conecta Labs. O serviço está identificado oficialmente como uma solução em experimentação.
Depois de aceitar as condições de participação, será necessário permitir o acesso aos dados necessários para que o sistema valide os deslocamentos, incluindo informações de localização. O participante deve então realizar trajetos dentro do município do Recife utilizando uma das modalidades admitidas.
A orientação é registrar um trecho de cada vez. Um morador que vai de casa para o trabalho, por exemplo, registra esse percurso seguindo as instruções do sistema e aguarda a confirmação antes de acompanhar os créditos obtidos.
Existe ainda uma ressalva importante apresentada no próprio portal Conecta Recife: a aplicação é uma solução de terceiros em fase experimental, utilizando o Conecta Recife como laboratório digital. A Prefeitura informa que o serviço é de responsabilidade de terceiros e não está sob a sua jurisdição.
A experiência deverá continuar durante um ano. Esse período permitirá avaliar se oferecer benefícios é capaz de modificar hábitos de deslocamento e aumentar a utilização da caminhada e da bicicleta como meios efetivos de transporte.
Caso os resultados sejam positivos, o modelo poderá abrir espaço para novas experiências que combinem tecnologia e mobilidade urbana. A Prefeitura já admite que outras formas de transporte sustentável poderão ser incorporadas em fases futuras.
Para Recife, o principal ponto da experiência será descobrir se uma plataforma digital consegue transformar pequenos incentivos individuais em mudanças mensuráveis na maneira como a população se desloca. O Mova-se pelo Futuro ainda é um teste, e não uma política permanente, mas coloca GPS, dados e sistemas digitais diretamente numa experiência sobre o futuro da mobilidade urbana da capital pernambucana.
Fontes:
