Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, acompanha uma mudança importante na maneira como o envelhecimento vem sendo compreendido pela sociedade. Durante muito tempo, a terceira idade foi associada principalmente à perda de autonomia, ao afastamento das atividades sociais e à redução da participação na vida comunitária. Hoje, essa visão vem sendo substituída por um conceito mais amplo: o envelhecimento ativo.
O aumento da expectativa de vida, aliado aos avanços da medicina preventiva e à maior conscientização sobre hábitos saudáveis, tem contribuído para que milhões de pessoas alcancem a terceira idade com melhores condições físicas, cognitivas e emocionais. Nesse contexto, envelhecer deixou de ser visto apenas como uma etapa de limitações e passou a representar uma fase que pode ser marcada por participação social, aprendizado contínuo e qualidade de vida.
Essa transformação também exige mudanças na forma como famílias, profissionais de saúde e a própria sociedade se relacionam com a população idosa.
O que significa envelhecimento ativo na prática?
O conceito de envelhecimento ativo vai muito além da ausência de doenças. Ele está relacionado à capacidade de manter participação social, independência funcional e envolvimento em atividades que contribuam para o bem-estar físico e emocional. Isso pode incluir práticas como atividade física regular, participação em grupos comunitários, realização de atividades culturais, aprendizado de novas habilidades e manutenção dos vínculos familiares. O objetivo é permitir que a pessoa continue exercendo seu papel social de forma significativa.
Doutor Yuri Silva Portela acompanha discussões sobre qualidade de vida na terceira idade e observa que idosos que permanecem socialmente ativos tendem a apresentar melhores indicadores relacionados à saúde física e emocional. Outro aspecto importante é que envelhecimento ativo não significa necessariamente manter o mesmo ritmo de vida das décadas anteriores. Trata-se de adaptar hábitos e atividades às condições individuais, preservando autonomia e propósito.
Por que a autonomia é tão importante para os idosos?
A autonomia representa um dos principais fatores associados ao bem-estar na terceira idade. A possibilidade de tomar decisões sobre a própria rotina, realizar atividades cotidianas e manter independência contribui diretamente para a autoestima e para a qualidade de vida.
Quando a autonomia é preservada, o idoso tende a participar mais das atividades familiares e comunitárias, reduzindo o risco de isolamento social. Por outro lado, a perda precoce da independência pode gerar impactos emocionais significativos.
Muitas vezes, familiares adotam atitudes superprotetoras, acreditando que estão ajudando. Embora a intenção seja positiva, impedir que o idoso participe de atividades compatíveis com suas capacidades pode contribuir para a perda gradual de habilidades importantes. Como pós-graduado em geriatria, Doutor Yuri Silva Portela acompanha temas relacionados à promoção da autonomia e à importância de estratégias que incentivem a participação ativa dos idosos em seu próprio processo de cuidado.
Como a saúde mental influencia o envelhecimento?
A saúde emocional desempenha papel fundamental na qualidade de vida da população idosa. Questões como solidão, ansiedade e depressão podem afetar significativamente o bem-estar, mesmo quando a saúde física está relativamente preservada. O isolamento social é um dos desafios mais observados em diferentes regiões do país. Mudanças familiares, aposentadoria e redução da convivência social podem contribuir para sentimentos de desconexão e perda de propósito.

Por essa razão, especialistas vêm destacando a importância de fortalecer vínculos sociais e estimular a participação em atividades coletivas. Grupos comunitários, projetos sociais e ações de integração têm demonstrado resultados positivos para a saúde mental dos idosos. Doutor Yuri Silva Portela acompanha iniciativas voltadas ao envelhecimento saudável e à promoção do bem-estar integral, considerando que aspectos emocionais e sociais possuem impacto direto sobre a saúde geral da população idosa.
Qual o papel das comunidades no cuidado com os idosos?
O envelhecimento populacional exige uma participação cada vez maior das comunidades na construção de ambientes mais inclusivos e acolhedores. O cuidado com a terceira idade não depende apenas dos serviços de saúde, mas também do fortalecimento das redes de apoio e da inclusão social.
Em localidades com maior vulnerabilidade social, projetos comunitários podem desempenhar papel importante na promoção da saúde e na ampliação do acesso a serviços essenciais. Essas iniciativas ajudam a aproximar profissionais, voluntários e moradores, fortalecendo o senso de pertencimento e cidadania.
O Projeto Humaniza Sertão, fundado pelo Doutor Yuri Silva Portela, desenvolve ações em comunidades carentes do Sertão de Quixadá, reunindo profissionais de diversas áreas para oferecer atendimentos e apoio social a populações em situação de vulnerabilidade. A iniciativa conta com uma equipe multidisciplinar e realiza ações periódicas voltadas ao cuidado comunitário e à promoção da saúde.
Como será a terceira idade nas próximas décadas?
As projeções indicam que o número de idosos continuará crescendo de forma significativa no Brasil. Esse cenário exigirá investimentos em prevenção, acessibilidade, inclusão social e fortalecimento das políticas voltadas ao envelhecimento saudável. Ao mesmo tempo, cresce a compreensão de que qualidade de vida na terceira idade depende de ações construídas ao longo de toda a vida. Alimentação equilibrada, atividade física, acompanhamento médico e participação social formam a base para um envelhecimento mais saudável.
Doutor Yuri Silva Portela acompanha as transformações relacionadas à longevidade e ao envelhecimento ativo, temas que ganham cada vez mais relevância diante das mudanças demográficas observadas no país. Em um contexto de maior expectativa de vida, promover autonomia, inclusão e bem-estar torna-se um desafio coletivo e uma oportunidade para construir uma sociedade mais preparada para o futuro.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
