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“Baile Perfumado” completa 30 anos e volta aos cinemas do Recife em mostra comemorativa

Diego Velázquez
Última atualização agosto 13, 2026 12:42 pm
Diego Velázquez 5 horas ago
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Longa de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, considerado um marco da retomada do cinema pernambucano, regressa às salas nesta quinta-feira (13); programação celebra também outros filmes que ajudaram a projetar Pernambuco no audiovisual brasileiro

Contents
Filme marcou uma nova fase do cinema de PernambucoCangaço encontrou o manguebeat no cinemaPrimeiro longa pernambucano em duas décadasMostra reúne quatro momentos do cinema pernambucanoAbertura reuniu realizadores no Cinema São LuizFilmes chegam a cerca de 30 salas pelo BrasilRecife tornou-se referência nacional no audiovisualFilme continua relevante 30 anos depoisRetorno aos cinemas celebra mais do que um aniversário

Três décadas depois de se tornar um dos filmes mais importantes da história recente do cinema pernambucano, “Baile Perfumado” volta às salas do Recife nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026. O longa dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas integra a Mostra Comemorativa do Cinema Pernambucano, que acontece entre 13 e 19 de agosto e reúne produções emblemáticas realizadas no Estado. (Diario de Pernambuco)

No Recife, o filme entra novamente em cartaz em salas da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e no Moviemax Rosa e Silva. O retorno ocorre exatamente no ano em que a produção completa três décadas de seu lançamento, transformando as sessões numa oportunidade para uma nova geração conhecer o longa no grande ecrã. (Diario de Pernambuco)

“Baile Perfumado” foi lançado em agosto de 1996, durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Além de conquistar o prêmio de melhor filme do festival naquele ano, a obra tornou-se referência para o renascimento da produção cinematográfica pernambucana depois de um longo período sem a realização de longas-metragens no Estado. (Diario de Pernambuco)

Filme marcou uma nova fase do cinema de Pernambuco

A importância de “Baile Perfumado” ultrapassa a história contada no ecrã. O filme passou a ser associado à chamada retomada do cinema pernambucano e ao surgimento de uma geração que procurava construir uma linguagem própria, distante da concentração tradicional da produção audiovisual brasileira no eixo Rio-São Paulo. (Folha de S.Paulo)

Dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas, o longa partiu de uma ideia do cineasta e crítico Fernando Spencer. A produção levou a equipa ao Sertão para reconstruir cinematograficamente a história de Benjamin Abrahão, personagem real que conseguiu aproximar-se de Lampião e do seu bando. (Diario de Pernambuco)

A narrativa acompanha a tentativa de Abrahão de registrar em imagens o cotidiano dos cangaceiros. Ele acreditava que o material poderia trazer reconhecimento e retorno financeiro, mas a trajetória acaba atravessada pelo contexto político do Estado Novo e pela repressão às imagens produzidas.

Ao utilizar essa história como ponto de partida, os realizadores construíram uma obra que mistura cangaço, memória, cultura popular e uma linguagem audiovisual influenciada pelo ambiente cultural que transformava o Recife durante os anos 1990.

Cangaço encontrou o manguebeat no cinema

Um dos elementos que fizeram “Baile Perfumado” destacar-se foi justamente a combinação entre uma história situada no universo do cangaço e uma estética contemporânea.

Na época em que o filme foi produzido, Pernambuco vivia a efervescência do manguebeat, movimento cultural associado a artistas e bandas que procuravam combinar referências locais com linguagens modernas e internacionais. Essa atmosfera acabou também influenciando o audiovisual pernambucano. (Folha de S.Paulo)

O resultado foi uma representação do Sertão diferente daquela tradicionalmente encontrada no cinema brasileiro. Em vez de tratar o Nordeste apenas através de imagens de pobreza e isolamento, a produção apresentou movimento, música e experimentação estética.

Essa combinação tornou-se uma das marcas mais lembradas do longa e ajuda a explicar por que a obra continua sendo discutida três décadas depois.

Primeiro longa pernambucano em duas décadas

Quando chegou aos cinemas, “Baile Perfumado” também representava uma conquista concreta para a indústria audiovisual local: era o primeiro longa-metragem pernambucano em cerca de duas décadas. (Diario de Pernambuco)

O seu sucesso mostrou que era possível voltar a produzir cinema de longa duração a partir de Pernambuco. A partir daquele período, uma nova geração de realizadores começou a ganhar espaço em festivais nacionais e internacionais.

Nas décadas seguintes, nomes como Marcelo Gomes, Cláudio Assis, Gabriel Mascaro e Kleber Mendonça Filho ajudariam a consolidar Pernambuco como um dos principais polos criativos do audiovisual brasileiro.

Esse processo não ocorreu apenas por causa de um filme, mas “Baile Perfumado” tornou-se um dos símbolos mais evidentes dessa viragem histórica.

Mostra reúne quatro momentos do cinema pernambucano

A comemoração dos 30 anos não acontece de forma isolada. A Mostra Comemorativa do Cinema Pernambucano, promovida pela Imovision, reúne quatro produções que representam diferentes momentos das últimas três décadas. (Diario de Pernambuco)

Além de “Baile Perfumado”, que chega aos 30 anos, a programação inclui “Cinema, Aspirinas e Urubus”, de Marcelo Gomes, e “Baixio das Bestas”, de Cláudio Assis, ambos celebrando 20 anos. Completa a seleção “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, que comemora dez anos. (Grandes nomes da propaganda)

A escolha cria uma espécie de linha do tempo da produção pernambucana, permitindo observar mudanças de linguagem, temas e gerações ao longo do período.

Embora os quatro filmes sejam bastante diferentes, todos ajudaram, em diferentes momentos, a ampliar a presença de Pernambuco no cinema brasileiro.

Abertura reuniu realizadores no Cinema São Luiz

Antes do início oficial do circuito desta quinta-feira, a mostra teve uma sessão especial de abertura no Cinema São Luiz, no Recife, no último dia 6 de agosto.

A sessão contou com a exibição de “Baile Perfumado” e reuniu realizadores homenageados pela programação, entre eles Lírio Ferreira, Gabriel Mascaro, Cláudio Assis e Hilton Lacerda. (Diario de Pernambuco)

A escolha do São Luiz também acrescentou um componente simbólico à celebração. O cinema histórico localizado no centro do Recife mantém uma forte relação com a memória audiovisual pernambucana e voltou a receber o longa três décadas depois da sua criação.

A programação comemorativa, contudo, não fica restrita à capital pernambucana.

Filmes chegam a cerca de 30 salas pelo Brasil

Entre 13 e 19 de agosto, a mostra entra num circuito nacional, com sessões dos quatro filmes em aproximadamente 30 salas de cinema distribuídas por diferentes regiões brasileiras. (Grandes nomes da propaganda)

Entre as cidades contempladas estão Salvador, Natal, Fortaleza, Maceió, Aracaju, Belém, Manaus, Palmas, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis, além do próprio Recife. (Grandes nomes da propaganda)

A expansão nacional permite que a comemoração dos aniversários das obras também funcione como uma apresentação do cinema pernambucano para espectadores que não tiveram oportunidade de assistir aos filmes quando foram originalmente lançados.

No caso de “Baile Perfumado”, essa diferença geracional é particularmente significativa: quem tinha poucos anos ou sequer havia nascido em 1996 poderá agora encontrar a produção numa sala comercial.

Recife tornou-se referência nacional no audiovisual

O aniversário também ajuda a dimensionar quanto o cenário cinematográfico de Pernambuco mudou desde a década de 1990.

Quando “Baile Perfumado” foi produzido, realizar um longa-metragem no Estado ainda era algo excepcional. Trinta anos depois, Pernambuco possui uma produção audiovisual reconhecida nacional e internacionalmente, com filmes presentes em grandes festivais e premiações.

A consolidação dessa indústria foi resultado de uma combinação de factores: formação de realizadores, políticas de financiamento, editais públicos, festivais, produtoras locais e uma cultura de colaboração entre profissionais. O apoio governamental por meio de editais e prémios teve papel importante na sustentação desse movimento. (Folha de S.Paulo)

Ao mesmo tempo, os realizadores desenvolveram uma identidade suficientemente diversa para evitar que “cinema pernambucano” se transformasse num único género ou estilo.

Filme continua relevante 30 anos depois

A permanência de “Baile Perfumado” no debate cinematográfico também está relacionada à forma como a produção trabalha memória e história.

Benjamin Abrahão existiu e os seus registros de Lampião e dos cangaceiros possuem enorme importância documental. Ao transformar essa história em ficção cinematográfica, Lírio Ferreira e Paulo Caldas aproximaram diferentes tempos: o Sertão do cangaço, o Brasil dos anos 1930 e o Pernambuco culturalmente efervescente dos anos 1990.

A obra também questiona o próprio poder das imagens. O protagonista procura filmar Lampião porque percebe que a câmera pode transformar acontecimentos em memória, fama e mercadoria.

Décadas depois, essa discussão continua atual num mundo em que imagens circulam de maneira ainda mais rápida e desempenham papel central na construção da percepção pública dos acontecimentos.

Retorno aos cinemas celebra mais do que um aniversário

Por isso, a volta de “Baile Perfumado” às salas do Recife nesta quinta-feira não representa apenas uma sessão nostálgica.

A comemoração dos 30 anos do longa funciona também como um reconhecimento da transformação ocorrida no cinema pernambucano desde 1996. Uma produção realizada num momento de retomada ajudou a abrir caminho para uma cinematografia que posteriormente alcançaria festivais, prémios e espectadores em diferentes partes do mundo. (Diario de Pernambuco)

A Mostra Comemorativa do Cinema Pernambucano reforça justamente essa continuidade ao colocar lado a lado obras produzidas em diferentes décadas.

Para o público do Recife, a programação oferece ainda uma oportunidade particular: reencontrar no grande ecrã um filme profundamente ligado à história cultural recente de Pernambuco.

Trinta anos depois de apresentar ao Brasil uma mistura pouco convencional de cangaço, música, memória e modernidade, “Baile Perfumado” regressa aos cinemas justamente no lugar onde nasceu a geração que ajudou a transformar — e que continua a influenciar — o audiovisual pernambucano.

Fontes:

  • Diario de Pernambuco
  • Folha de S.Paulo
  • Diario de Pernambuco
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