Pedro Francisco Guimarães Solino, advogado que atua em Direito do Consumidor e sócio do Solino e Oliveira Advogados Associados, analisa o golpe da taxa dos Correios, fraude em que criminosos informam à vítima a existência de uma taxa pendente para a liberação de uma encomenda, geralmente cobrada por meio de Pix para uma conta sem qualquer vínculo com os Correios ou com transportadoras legítimas.
O golpe se aproveita do volume crescente de compras feitas pela internet e da expectativa natural de quem está aguardando o recebimento de um produto, condição que reduz a desconfiança da vítima diante de uma mensagem que parece dar continuidade ao processo de entrega já em andamento.
Como o golpe costuma se apresentar
Os criminosos utilizam diversos canais para abordar a vítima, como mensagens de texto com links encurtados, e-mails que reproduzem logotipos e linguagem institucional dos Correios, mensagens por aplicativos de conversa simulando atendimento automático, e até ligações telefônicas de pessoas que se apresentam como funcionários dos Correios. Em todos os casos, a mensagem informa que existe uma taxa pendente, muitas vezes relacionada a uma suposta tributação de importação, e que o pagamento deve ser feito imediatamente para evitar a devolução ou o cancelamento da entrega.
Os detalhes que tornam a fraude mais convincente
Para aumentar a credibilidade da abordagem, as mensagens fraudulentas costumam incluir um número que imita um código de rastreamento, e em versões mais elaboradas do golpe, chegam a apresentar formulários que solicitam a confirmação do CPF antes do pagamento, reforçando a aparência de legitimidade do processo descrito na mensagem recebida pela vítima.
O que os Correios esclarecem sobre esse tipo de cobrança
Pedro Francisco Guimarães Solino observa que, segundo comunicado oficial dos próprios Correios, a instituição e a Receita Federal nunca cobram taxas por mensagem de texto, telefone, boleto, Pix, e-mail ou aplicativos de conversa, o que por si só já indica que qualquer cobrança recebida por esses canais não corresponde a uma exigência legítima relacionada à liberação de encomendas.
Como confirmar a situação real de uma encomenda
Antes de realizar qualquer pagamento, o consumidor deve verificar o status da encomenda diretamente no portal oficial de rastreamento ou no canal correspondente da transportadora responsável pela entrega, sem utilizar links recebidos por mensagem. Quando houver dúvida sobre eventual tributação de importação, o caminho seguro é consultar os canais oficiais da Receita Federal, que não realiza cobranças dessa natureza por mensagem ou telefone.
O que fazer ao identificar ou já ter sofrido o golpe
Diante de uma mensagem suspeita, o consumidor deve evitar clicar em links ou fornecer dados pessoais, e pode reportar a tentativa de fraude diretamente aos Correios ou à transportadora mencionada na mensagem. Para quem já efetuou o pagamento, reunir comprovantes da transferência e das mensagens recebidas, registrar boletim de ocorrência e buscar orientação jurídica sobre eventual ressarcimento são providências que ajudam a documentar o prejuízo sofrido.
Conclusão
O golpe da taxa dos Correios se aproveita da expectativa de quem aguarda uma encomenda para cobrar um valor que nenhuma instituição legítima exige por mensagem, telefone ou Pix. Pedro Francisco Guimarães Solino reforça que confirmar sempre a situação da entrega diretamente nos canais oficiais de rastreamento, antes de qualquer pagamento, é a forma mais segura de evitar esse tipo de fraude, sempre considerando as circunstâncias específicas de cada abordagem recebida.
