João Campos e Raquel Lyra oficializam candidaturas em convenções marcadas para 1º e 2 de agosto, no Recife, dando largada à disputa eleitoral de outubro.
A corrida pelo governo de Pernambuco entra em sua fase decisiva com a realização das convenções partidárias que vão oficializar os principais nomes da disputa. O período de convenções para as Eleições Gerais de 2026 começou no dia 20 de julho e segue até 5 de agosto em todo o país, conforme calendário definido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). Nesse intervalo, partidos e federações precisam realizar suas assembleias para confirmar candidatas e candidatos, além de fechar as coligações que vão disputar os cargos majoritários.
Para o eleitor pernambucano, esse é o momento em que as pré-candidaturas discutidas nos últimos meses deixam de ser especulação e passam a ter caráter oficial perante a Justiça Eleitoral. Depois de meses de articulações nos bastidores, Recife volta a concentrar as atenções da política estadual justamente por sediar os dois maiores atos do calendário: as convenções dos partidos dos dois principais postulantes ao Palácio do Campo das Princesas.
Quem são os principais nomes na disputa
O ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), é um dos protagonistas dessa etapa. Ele renunciou ao cargo em abril, dois dias antes do prazo final de desincompatibilização, justamente para poder concorrer ao governo do estado. Campos comandou a capital pernambucana por dois mandatos, tendo sido reeleito em primeiro turno em 2024 com mais de 725 mil votos, a maior votação da história recente para a prefeitura do Recife.
Sua convenção partidária está marcada para o dia 1º de agosto, no Clube Internacional, na Zona Oeste da capital, em conjunto com o PDT. Na chapa, ele tem como candidato a vice-governador o advogado e economista Carlos Costa, do Republicanos, e conta com Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) como pré-candidatos ao Senado. O local escolhido carrega forte simbolismo político, já que o Clube Internacional foi palco de diversas convenções comandadas pelo ex-governador Eduardo Campos, pai de João, tornando-se um espaço associado à história do PSB pernambucano.
Do outro lado, a atual governadora Raquel Lyra (PSD) busca a reeleição e terá sua candidatura oficializada em convenção marcada para o dia 2 de agosto, um dia depois do ato de João Campos. O evento acontecerá no Clube Português, também na área central do Recife, e deve reunir prefeitos, vereadores, deputados e lideranças de diferentes regiões do estado como demonstração de força política. Um ponto ainda em aberto na chapa da governadora é a vaga ao Senado, disputada entre os pré-candidatos Eduardo da Fonte, do PP, e Miguel Coelho, do União Brasil, disputa que deve se resolver justamente durante o período de convenções.
Como está o cenário eleitoral até aqui
Pesquisas recentes já apontam a disputa entre os dois principais nomes, João Campos e Raquel Lyra, como tecnicamente empatada, o que reforça o clima de expectativa em torno dos próximos atos partidários. Esse equilíbrio nas intenções de voto ajuda a explicar por que ambas as candidaturas estão investindo tanto na mobilização de aliados e prefeitos de diferentes regiões do estado para os eventos de 1º e 2 de agosto.
Outros partidos também já confirmaram seus candidatos ao governo estadual, ampliando o número de opções que estarão na urna em outubro. O Missão oficializou a candidatura do contabilista Renan Hallais, em sua primeira disputa a um cargo público, enquanto o PSTU confirmou o nome de Guilherme Fonseca. Ambas as legendas decidiram concorrer sem formar coligações para a chapa majoritária, uma estratégia diferente da adotada pelos dois principais grupos políticos do estado.
O que acontece depois das convenções
Encerrado o período de convenções, no dia 5 de agosto, os partidos, federações e coligações terão até 15 de agosto para solicitar formalmente o registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral. É nessa etapa que a Justiça Eleitoral encaminha os dados à Receita Federal para emissão do CNPJ de campanha, documento necessário para movimentação financeira e prestação de contas dos candidatos.
Além do governo do estado, o eleitorado pernambucano vai escolher também dois nomes para o Senado, além de deputados federais e estaduais, o que faz das convenções um momento de organização de dezenas de chapas simultaneamente em todo o estado. Com o fim desse período, a fase de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão deve começar em 16 de agosto, seguindo até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro caso nenhum candidato alcance maioria dos votos válidos.
O calendário eleitoral de 2026 em Pernambuco segue, portanto, rigidamente estabelecido pelo TRE-PE, e as próximas semanas devem ser marcadas por novas convenções, alianças e definições de vice e senadores nas chapas que ainda não fecharam seus quadros. Para o eleitor, acompanhar esse processo ajuda a entender melhor quem estará na disputa e quais alianças estarão em jogo até outubro, além de esclarecer como funciona, na prática, a transição entre a pré-candidatura informal e o registro oficial perante a Justiça Eleitoral.
Fontes: TRE-PE | Diario de Pernambuco | Movimento Econômico
